27 de novembro de 2007

Nossa Senhora da Caridade do Cobre - Padroeira de Cuba

Nossa Senhora da Caridade do Cobre - Padroeira de Cuba
Regime comunista não consegue esmagar devoção à Padroeira do povo cubano

Que motivo há para Nossa Senhora querer aparecer a certas pessoas? Ou para aparecer em certa data e não em outra? Difícil a resposta, pois, exceto algumas poucas aparições, na imensa maioria delas os motivos para Nossa Senhora ter escolhido tal data ou esse ou aqueles videntes permanecem envoltos em mistério que teremos a alegria de desvendar no Céu.

Essa foi a questão que me veio à mente após a leitura da aparição da imagem de Nossa Senhora da Caridade – Padroeira da desditada Cuba, outrora conhecida como Ilha da Ave Maria. Primeiro, pelos felizes protagonistas do milagre: dois irmãos indígenas, João e Rodrigo de Hoyos, e um crioulo, João Moreno, todos eles adolescentes e trabalhadores numa fazenda. Portanto nada revelavam de especial. Por que motivo foram escolhidos? Mistério...

Em segundo lugar, pela forma mediante a qual foi encontrada a imagem: boiando no mar sobre uma tábua, na qual estava escrita: "Eu sou a Virgem da Caridade". E o mais impressionante é que nem sequer a orla de seu vestido estava molhada! Fato este tanto mais digno de atenção quando se considera que os três rapazes tinham ido buscar sal na costa e viram-se obrigados a permanecer três dias numa cabana, devido à turbulência do mar. Se uma canoa não podia navegar sem afundar, como explicar que uma imagem de 30 cm ficasse boiando em águas bravias sem se molhar? Um mistério a mais...

Elucidação de alguns fatos não esclarece mistérios...

Na feliz época em que a imagem apareceu, no início do século XVII, a situação era muito diferente da nossa, encharcada de ateísmo. O sobrenatural era levado muito a sério. Assim, por exemplo, não se pense que os três rapazes narraram o episódio da aparição e tudo ficou nisso – acreditasse quem quisesse. Nem falar! Nesse tempo ninguém iria tolerar falsas "aparições", feitas sob encomenda para chamar a atenção sobre os "videntes" e suas "mensagens" intermináveis.

Foi por isso que, apenas conhecida a notícia da aparição na fazenda onde trabalhavam os três jovens, o superior da propriedade rural enviou um mensageiro para avisar a autoridade imediata, à qual devia obediência. Tratava-se do Administrador Real das minas da vila de Cobre – assim chamada devido à abundância desse metal –, Dom Francisco Sánchez de Moya, o qual indicou as primeiras normas a serem seguidas no trato com a imagem.

Devia ser construída, logo de início, uma pequena ermida para abrigá-la, tendo ele enviado uma lâmpada de cobre para iluminar a pequenina imagem. A seguir, foi nomeada uma comissão formada por pessoas competentes e presidida pelo sacerdote da Vila do Cobre, que deveria elucidar tudo e elaborar um relato sobre tão extraordinário fato.

Para tristeza dos ateus e incrédulos do século passado e do atual, que sempre negaram qualquer seriedade à aparição da imagem, há algum tempo foram encontrados em Sevilha (Espanha), pelo historiador cubano Dr. Levi Marrero, os relatórios originais da aparição...

Após interrogar os três rapazes, para ver se caíam em contradição ou se declaravam algo contrário à doutrina católica, a comissão nada encontrou que desmentisse o relato da aparição. Contudo, ninguém conseguia explicar como a imagem da Virgem aparecera no mar.

Milagre indica local escolhido pela Virgem

Após os interrogatórios, cabia decidir onde deveria ficar a imagem. "Na fazenda", diziam alguns; "Na vila do Cobre", afirmavam outros. A rigor, ela tinha aparecido no mar, perto da fazenda; mas era inegável que seu culto seria maior na vila, onde era maior o número de habitantes. Entretanto a imagem ficara na pequena ermida.

Certa noite Diego de Hoyos, irmão dos descobridores da imagem, foi acender a lâmpada da ermida quando notou que a virgem não estava mais lá... Incontinenti, correu para avisar os moradores da fazenda. Após uma intensa busca, nada encontraram. Na manhã seguinte a imagem encontrava-se no seu local, na ermida...

Esse prodígio repetiu-se por três vezes. O que significava? Mais provavelmente que a imagem queria estar noutro lugar. Por isso foi trasladada à Vila de Cobre. Entretanto Nossa Senhora havia escolhido outro local, perto da cidade.

Uma menina da região, de nome Apolônia, comunicou ter visto a efígie da Virgem nas colinas atrás da Vila. Para assegurar-se de que era esse o local onde ela desejava ser venerada, foi realizada uma Missa. À noite, foram vistas três colunas de fogo no mesmo local onde a criança dizia ter visto a imagem.

Como o fenômeno repetiu-se nas duas noites seguintes, não restou a menor dúvida. E até hoje lá se encontra a veneranda imagem.

Como surgiu a Imagem?

Persiste até nossos dias um debate sobre a origem da imagem, pois numa época em que ninguém no Caribe teria capacidade de realizar uma escultura daquela categoria, necessariamente teria ela sido trazida de algum outro local. A opinião mais aceita era que o conquistador Alonso de Ojeda a tivesse deixado em poder dos índios, quando esteve nas costas de Cuba ao início do século XVI.

Com efeito, esse audaz navegador, após sobreviver a um naufrágio em região de pântanos e ver morrerem de fome e cansaço vários de seus homens, foi encontrado pelos índios Cueiba, com os quais estabeleceu boas relações. Para agradecer o auxílio concedido, presenteou-lhes uma imagenzinha que tinha trazido da Espanha, ao mesmo tempo em que procurou ensinar-lhes as verdades elementares de nossa Religião. Infelizmente a barreira da língua dificultou muito esse trabalho. Mas Ojeda conseguiu que os nativos, sempre que lhes indicava a imagem, repetissem Ave Maria. Por isso, durante certo tempo a ilha de Cuba foi conhecida como Ilha da Ave Maria.

Nem a perseguição comunista conseguiu apagar a veneração à imagem

A imagem de Nossa Senhora da Caridade do Cobre sempre ocupou destaque especial na devoção dos católicos cubanos, a ponto de ser proclamada, em 1916, Padroeira da Ilha. Se de um lado os milagres operados por ela foram numerosos, infelizmente também contra ela se manifestaram o ódio e o desprezo. Em 1899, seu Santuário foi profanado por bandidos, que roubaram as jóias mais valiosas e cortaram a cabeça da sagrada imagem para retirar um diamante.

Muito pior entretanto é a política satânica do regime de Fidel Castro contra a imagem, o que tem despertado reação e atos de desagravo. Não se trata agora de retirar suas jóias, mas pior: impedir a aproximação de almas que lhe são devotas – verdadeiras jóias espirituais. O governo cubano não autoriza muitas peregrinações ao local, vigiando de perto os visitantes. Estes podem ser privados da educação universitária, ou ver-se privados de seu trabalho, o que – num país onde o único patrão é o Estado – representa uma tragédia. Além disso, o regime castrista promove todo tipo de imoralidades entre os jovens para afastá-los das práticas religiosas. Mas mesmo assim não conseguiu extinguir a devoção à Padroeira de Cuba.

Peçamos a Nossa Senhora que proteja seus filhos fiéis na ilha-prisão, não permitindo que essa bela devoção caia no olvido. Pois um país que perde a devoção à sua Padroeira entra em agonia. E nosso anelo é que Nossa Senhora da Caridade do Cobre volte a reinar na antiga Ilha da Ave Maria!

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Fontes de referência:
Maria e seus gloriosos títulos, Editora Lar Católico, 1ª edição, 1958.
Rubem Vargas Ugarte S.J., Historia del Culto a Maria en Iberoamérica, Talleres Gráficos Jura, Madrid, 3ª edição, 1956.
D. Eugenia Guzmán, A Virgem da Caridade e o futuro de Cuba, CubDest, 1999.
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